ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS EM MONÇÃO - UMA VISÃO POLÍTICA DO EXTERIOR!

Manuel António Gomes

Profissional liberal *

Tudo aponta para que o próximo dia 1 de outubro a disputa eleitoral no concelho de Monção seja bastante “renhida”. Fundamentalmente a disputa pela vitória vai ser discutida pelo Partido Socialista (PS) e pelo Partido Social Democrata (PSD). Ao contrário de há quatro anos não parece que o CDS/PP tenha qualquer hipótese de atingir um número significativo de votos. O candidato, com todas as qualidades que possui, o bom trabalho que executou durante a sua permanência como vereador, não serão suficientes para ombrear com a figura e a personalidade de Abel Batista. Este, pelas relações que possuía no concelho, conseguiu agregar um conjunto de individualidades e de apoios que claramente José Luís Alves não consegue, nem tem. A sua forma de estar, apesar de possuir enorme valor como ser humano, não representa votos. Não chega às pessoas. Conseguiu, com todas as limitações, apresentar uma boa escolha para candidata à Assembleia Municipal. Sendo mulher, com protagonismo profissional no concelho, Elisabete Amoedo, pode ser uma boa surpresa.

Analisemos então os candidatos dos dois partidos à Câmara Municipal que se perfilam para disputar a vitória eleitoral.

Pelo PS, Augusto Domingues, atual presidente do Município, apresenta-se ao eleitorado em condições de mostrar a obra que efetuou ao longo do seu mandato. Conhecedor do concelho, visto ter sido vereador com José Emílio durante muitos anos, Augusto Domingues, tem uma relação de proximidade e afeto com as variadas coletividades e associações que existem no concelho. Sempre esteve presente e colaborante com as necessidades e anseios do que é mais representativo no concelho. As pessoas confiam nele porque é incapaz de prometer o que não tem condições para cumprir. Mostrou sabedoria e tenacidade ao longo dos últimos quatro anos, mesmo estando em minoria no executivo. Conseguiu, fundamentalmente com os acordos pontuais que estabeleceu com o CDS levar o concelho a bom rumo. Exemplo disso é a saúde financeira que o município tem, sem deixar de fazer obra, em estreita colaboração com as juntas de freguesia. Parece-nos, sem sombra de dúvidas, que é o candidato melhor preparado para exercer as funções de presidente da Câmara.

A número dois da lista do PS é Conceição Soares. Sobejamente conhecida, é, apesar da pouca notoriedade em termos de relações humanas, uma pessoa capaz para o cargo a que se candidata. Poderia e deveria ter ao longo dos últimos quatro anos uma relação de maior proximidade e afeto junto das pessoas, nomeadamente os presidentes de junta. Está sempre a tempo de mudar, desde que perceba que os cargos são ocupados pela revelação de profissionalismo e afeto e não pela tradição familiar.

O número três, Paulo Esteves, revelou-se ao longo destes últimos quatro anos uma excelente surpresa positiva. Próximo das pessoas, (muito diferente de Conceição Soares), pragmático, dialogante, preocupado e atento áquilo que acontece no concelho, nomeadamente na área que coordena, podemos dizer, sem qualquer dúvida, foi o melhor de todos os vereadores com assento na vereação camarária.

A número quatro e número cinco da lista do PS, são respetivamente Nídia Além e Manuel José Oliveira. A Nídia Além já fez parte das listas do PS em 2013, na eleição para a Câmara Municipal. É uma mulher, ao que nos dizem, excelente profissional, que de alguma forma representa o Vale do Gadanha. Aliás, é a única representante nos cinco primeiros lugares, de todos os partidos, que representa uma parte do concelho que merece ter alguém que faça ouvir a sua voz.

Manuel José Oliveira, é o atual presidente de Junta de Cambeses. Trabalhador incansável, pelo seu trajeto como presidente de junta, pode ser um digno representante dos mesmos, no órgão executivo. A presença de alguém que conhece, como ninguém, o trabalho e as necessidades das freguesias do concelho, é uma mais valia. Com ele, de certeza, os presidentes de junta, seja qual for o seu partido, poderão ter a certeza de estar bem representados.

Passemos então à análise dos candidatos do PSD.

António Barbosa, novamente candidato, tendo perdido há quatro anos por três votos, aposta agora na sua sobrevivência política. Se perder, sabe que politicamente, está morto.

Anda no terreno há muito tempo, fez alterações significativas na lista que apresenta às eleições para o executivo, mas, no nosso entendimento, as suas escolhas não foram acertadas. Mais à frente explicaremos porquê.

António Barbosa, deixou de ser a surpresa que aconteceu há quatro anos, quando perdeu apenas por três votos. A sua intervenção política ao longo deste tempo revelou que apenas está preocupado com o seu “ego”. Não foi a mais valia que o eleitorado julgava possuir. Colocou muitas vezes o seu partido à frente do seu concelho. Poderemos dizer que em termos políticos é um “demagogo”. Promete, nomeadamente aos jovens, aquilo que sabe que nunca poderá cumprir – emprego. O emprego em Monção, parece-nos que até está em níveis aceitáveis, se compararmos com outros concelhos. Apelar aos emigrantes para regressarem é outro exemplo da falta de rumo, de conhecimento da realidade e apenas preocupado em cativar o voto para garantir a sua sobrevivência política. Como muitos tem referido, inclusive pessoas da área social democrata, o PSD para ganhar eleições teria que ter outro candidato, mais credível, que fosse aglutinador e que já tivesse mostrado trabalho feito em prol do concelho. O que não é o caso de António Barbosa, que apenas é conhecido por ser filho do antigo presidente da Adega de Monção e ser inspetor tributário, conhecido apenas junto das empresas.

João Oliveira. Trata-se, segundo nos contam, de uma imposição vinda de um responsável de uma IPSS concelhia. Não é visto com “bons olhos” nomeadamente pelos responsáveis das outras IPSS´s. A ser assim, trata-se de uma aposta perdida. Afastar João Garrido, atual vereador e número dois, que ainda por cima era um representante digno do Vale do Gadanha, por um elemento que representa determinados interesses, aliás bem visíveis, nas intervenções públicas que foi fazendo ao longo dos anos, parece ser o contributo decisivo para a descredibilização da política e a subalternização perante o poder privado.

Natália Rocha, número três da lista. Novamente candidata, pautou o seu mandato por um total apagamento. Ninguém lhe conhece uma intervenção pública sobre qualquer assunto que diga respeito ao Concelho. Segundo dizem as más-línguas, apenas está na lista porque é mulher, é simpática, bonita, e o marido é um dos financiadores da campanha autárquica do PSD de Monção.

Quanto ao número quatro, Duarte Amoedo, não se lhe conhece qualquer ligação à política, apesar de que em termos familiares sempre esteve na área do PSD. Nunca foi visto em qualquer atividade partidária, nem se lhe conhece opinião ou posição sobre o concelho de Monção.

O número cinco é Fernando Costa. Esteve nos últimos quatro anos como eleito do PSD na Assembleia Municipal de Monção. Segundo nos contaram, ninguém lhe ouviu uma palavra que fosse sobre a política concelhia, limitava-se a votar de acordo com as orientações do partido.

Feita esta análise aos vários candidatos anunciados pelas duas principais forças políticas, resta aguardar pelo veredito final. E esse é feito pelos eleitores, no recato da mesa de voto. Sem pressões de qualquer espécie, esquecendo as promessas e empregos prometidos, a distribuição do lugar x em troca do voto. O povo é soberano e sábio nas suas decisões e assim deverá continuar.

 

* O autor não quer identificar-se publicamente, o que respeitamos. No entanto, e porque não aceitamos textos anónimos, solicitamos - e foram entregues ao Minho Digital - uma cópia do Cartão de Cidadão e comprovativo da residência (talão de uma operadora de telemóvel).

Autor:

Anónimo

Do mesmo autor...

Este autor não tem mais publicações.